Dados do escritor:

André Eduardo Guimarães, 28 anos, mora em São Paulo Capital.



Escritores preferidos:

- Gibran Kahlil Gibran.
- Paulo Coelho.
- Osho.
- Jostein Gaarder.
- Mitch Albom.
- Augusto Cury.
- Joseph Campbell.
- J. R. R. Tolkien.




Escrevendo:

- O Deus do amor (lançamento 2006).



Lendo:

- O poder do silêncio / Eckhart Tolle.
- O Zahir / Paulo Coelho.
- O poder do agora / Eckhart Tolle.
- Meditação / Osho.
- Fazendo contato / John Edward.
- A semente de mostarda / Osho.
- Harry Potter e o enigma do príncipe / J. K. Rowling.
- Onze minutos / Paulo Coelho.
- As mentiras que os homens contam/ Luis Fernando Veríssimo.
- Coragem / Osho.
- Aprendendo a silenciar a mente / Osho.
- A garota das laranjas / Jostein Gaarder.
- Inteligência / Osho.
- Autobiografia / Osho.
- Star Wars e a filosofia / William Irwin.
- Criatividade / Osho.
- Intimidade / Osho.
- Intuição / Osho.
- Liberdade / Osho.
- O Demônio e a srta. Prym / Paulo Coelho.
- Constelações familiares / Bert Hellinger.



Posts Antigos:

- 01/03/2006 a 31/03/2006
- 01/02/2006 a 28/02/2006
- 01/01/2006 a 31/01/2006
- 01/12/2005 a 31/12/2005
- 01/11/2005 a 30/11/2005
- 01/10/2005 a 31/10/2005
- 01/09/2005 a 30/09/2005



Blogs:

- Idéias e histórias
- Totally Leo
- Juventude a sério
- Jamaicano
- Confissões de uma quase mulher
- Deixa Rolar
- Soltos ao vento
- Single Thought

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Site Escrevendo e Compreendendo

O site Escrevendo e Compreendendo já está no ar. Para acessá-lo digite o endereço www.escrevendoecompreendendo.com.br . Em breve o site estará 100% completo.

Até mais.



- Postado por: André Eduardo Guimarães às 15h11
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   Estou demorando um pouco para postar novos contos por pura falta de tempo mesmo. Agora que meu livro está sendo terminado, todo o meu tempo extra vai para ele, revisão, capa, orelhas, mais revisão, etc (risos).  Mas segue um novo texto, um pouco longo, mas interessante, para refletir.

 

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Olhando o todo


   Nadir andava cabisbaixo, meio depressivo, resolveu ir conversar com seu mestre:

   - Mestre! Preciso de sua ajuda, estou com problemas, pois vivo lembrando de meu passado, de minha antiga vida, de minha mãe, de meu pai, e fico muito triste.

   - Quantas moedas você já achou no chão Nadir?

   - Como mestre? – perguntou Nadir.

   - Quantas moedas você achou no chão desde que está assim, triste? – repetiu o mestre.

   - Acho que umas três moedas ... Por quê?

   - Porque enquanto você estiver olhando para o chão você irá continuar assim, triste e cheio de moedas no bolso. Levante sua cabeça e siga em frente! – respondeu o velho mestre.

   E então Nadir levantou a cabeça, começou a olhar o céu. Passou vários dias olhando para o céu, começou a perceber as formas das nuvens, o calor do sol, de noite olhava as estrelas e a lua... Depois de uma semana assim, Nadir resolveu voltar no mestre:

   - Mestre, fiz o que você me pediu, a tristeza foi embora, mas agora vivo ansioso, não consigo parar de sonhar, de pensar no meu futuro e no que fazer.

   - Você prestou atenção nas nuvens? Viu suas formas? – perguntou o mestre.

   - Sim mestre, vi as nuvens tomarem a forma de objetos, animais, paisagens, até em um carro...

   - Nadir, agora você está olhando muito para o alto, e está pensando apenas no futuro, nos seus sonhos, suas fantasias. Abaixe um pouco a cabeça, olhe um pouco para os lados, converse com as pessoas e tudo isto passará.

   Então Nadir começou a olhar para os lados. Começou a conversar com as pessoas, prestar atenção nos lugares onde passava. Na primeira semana ele viveu bem, encontrou-se com amigos que não via há muito tempo, freqüentou vários lugares, mas no final da segunda semana ele se sentiu muito mal e assim correu novamente até o mestre:

   - Mestre! Estou ficando louco, não sei mas o que faço. Olhei durante duas semanas para os lados, conversei com muitos amigos, conheci muitos lugares, mas agora estou muito mau. Pois gastei muito dinheiro, vi muitas lojas por onde passava e acabei comprando de tudo, não resisti...

   - Quanto você deve? – perguntou o mestre.

   - Vinte e cinco mil Rúpias. 

   - Então faça o seguinte, pare de olhar para os lados, agora olhe sempre para frente e assim, isto se resolverá.

   Nadir saiu pensativo, como olhar para frente resolveria o seu problema? Mas mesmos assim resolveu seguir o que seu mestre propôs. Durante dois meses inteiros ele olhou apenas para frente, sentiu-se bem, trabalhou bastante e conseguiu alcançar o seu principal objetivo: pagar suas dívidas.

   No terceiro mês, Nadir novamente começou a ficar muito triste. Viu que não tinha sossego, trabalhava muito, não via sua família e sempre estava em busca de objetivos, em busca do que conquistar. Então ele voltou ao mestre:

   - Mestre! Agora chega! Vou arrancar meus olhos! Não adianta, toda vez que eu olho para um determinado lugar durante algum tempo eu fico bem, mas depois eu acabo ficando mau novamente. Agora não tenho sossego, voltei a ficar triste, pois percebi que para mim a vida se transformou em objetivos e conquistas.

   O mestre falou:

   - Agora você já pode se curar de tudo isso, basta olhar para o todo, não focalize um determinado lugar durante muito tempo. Toda vez que você se pegar olhando para frente, mude o olhar, olhe para os lados, para cima ou para baixo.

   - Mas porque você não disse antes?

   Então o mestre sorriu e respondeu:

   - Porque você só aprende a olhar para o todo, se tiver consciência do que acontece se olhar apenas para um único ponto.

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   Olhe para cada lado, não tenha medo, enfrente o sofrimento quando ele vier, só assim um dia tomaremos a consciência de olhar para o todo e ver que o todo é lindo, que este todo é o próprio Deus.

  



- Postado por: André Eduardo Guimarães às 10h30
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   Olá pessoal,

   Estou dando uma passadinha por aqui só para dizer que não parei de escrever não. Pelo ao contrário, estou escrevendo mais do que nunca. Até que enfim meu livro deslanchou, na semana passada ele voltou de revisão e agora tenho que correr, reler o livro, mudar o que eu quero mudar e devolver para a Editora.

   Parece que agora o processo vai ser rápido, faltam algumas coisas, mas em breve novidades virão, esperem mais um pouco que logo logo eu conto para vocês.

  Fora isso estou fazendo um novo site, o endereço será www.escrevendoecompreendendo.com.br. O endereço já está registrado e apontando para este blog, mas em breve ele será inaugurado com informações sobre mim, o livro O Deus do Amor e textos. Aguardem...

   Até mais.



- Postado por: André Eduardo Guimarães às 11h43
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   Depois de duas semanas de férias do blog, aqui estou eu novamente, pronto para 2006. Queria começar o ano com um pequeno texto. Texto este que faz parte de uma série que escrevi já há algum tempo atrás, no qual dei o nome de “Homem de meditação”.

   Estarei postando outros textos desta série eventualmente aqui no blog. São textos curtos, simples de ler, mas com um significado profundo, para meditar durante a semana.

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 Homem de meditação

   O homem de meditação vive no momento presente. Para ele não existe nem passado, nem futuro, ele deixou de percorrer estes caminhos, ele trilha apenas o caminho do agora.

   Percorrendo o caminho do agora, ele não teme nada o que encontra pela frente, pois o homem de meditação sabe que o que encontra faz parte do todo e o todo também faz parte de um homem que medita.


 



- Postado por: André Eduardo Guimarães às 15h07
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Gente grande

   Dois irmãos caminhavam pela rua na véspera de Natal. Ao passar em frente a uma loja, o mais novo – com sete anos de idade – viu um papai Noel na porta da loja. Ele parou no meio da calçada e ficou olhando atentamente aquele velhinho vestido de vermelho e branco.

   - O que foi? – perguntou o irmão mais velho.

   - Olha! É... é o papai Noel! – completou o menininho surpreso.

   O irmão mais velho olhou o papai Noel com olhar de desdém.

   - Papai Noel? Papai Noel não existe – disse.

   O menininho ficou pensativo parado ali na calçada, enquanto o irmão continuava a olhar para o papai Noel.

   - Quem te disse que papai Noel não existe? – o menininho perguntou.

   - O papai e a mamãe – respondeu o irmão mais velho completando – me contaram há pouco tempo.

   O menininho olhou para o irmão e disse sorrindo:

   - Ah! E o que gente grande entende de Papai Noel?

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   Nós deveríamos prestar mais atenção nas crianças, pois elas possuem uma virtude do qual todos nós adultos perdemos: a inocência.

   A inocência de uma criança não é mera alegoria infantil, não é mera infantilidade. A inocência vem de dentro, vem da alma, mostra o quão simples e feliz nós verdadeiramente somos.

   Neste Natal olhe pra dentro de si, sinta a sua criança, deixe-a soltar toda a sua inocência novamente, assim você poderá contemplar a vida sem parar para pensar, sem precisar fazer nada, apenas existindo, pois existir é o verdadeiro propósito.

   Não busque um presente neste Natal, pois este presente já foi dado a você no seu primeiro dia de vida: a sua existência.

   Um feliz Natal a todos.



- Postado por: André Eduardo Guimarães às 15h00
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   O texto desta semana foi criado especialmente para uma ocasião: o noivado de duas pessoas maravilhosas. Para você Fernando, que não é só meu primo, mas sim primo, amigo e irmão. E para você Áurea - amiga, irmã e agora minha prima também.

   Que vocês dois sejam felizes, e que durante as nossas vidas, juntos aqui neste planeta, eu possa escrever milhares de textos para vocês e recitá-los para todo mundo, como tive a oportunidade de fazer com este aqui na festa de vocês.

   Amo vocês.

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BelaAdormecida.com.br


   Em alguma sala de bate papo em algum ponto no mundo virtual...

   Bem vindo à sala de bate papo do ZUOL.

   Digite o seu nome:

   Téc... Téc... Téc...

   P....R....I...N...C....I...P...E....

   Príncipe entra na sala 1

   Príncipe diz:  Olá????

   (ninguém responde)

   Príncipe pergunta: Tem alguém aí???

   (Silêncio)

   Príncipe:  .... ....

   Bela adormecida entra na sala 1, ou melhor, está presa na sala 1

   Príncipe diz: Olá bela adormecida... quer TC?

   Bela Adormecida responde: Zzzzzzzzzzzzzz

   Príncipe: Príncipe BEIJA Bela Adormecida

   (SMACK)

   Bela Adormecida: Zzzzzzzzzzzzz

   Príncipe: Não funcionou? Ué?!?!?!?!

   Príncipe pensando... (Silêncio)

   Príncipe: Príncipe beija novamente Bela Adormecida

   Bela Adormecida: Hum... Ham... deixa eu dormir.... hum.... ainda ta cedo... hum... Zzzzzzzzzzzzzzzz

   (Mais Silêncio)

   Príncipe: ... ...

   Alguns minutos depois...

   Príncipe: Já sei!

   Príncipe: Príncipe dá um BEIJO DE LINGUA na Bela Adormecida.

   Bela Adormecida: Uau!! Gato!! Você por aqui!?!?!?!

 

   Podemos dizer que os dois se conheceram assim: num lugar inexistente, num mundo fictício.

   Ela encontrava-se desiludida, com o coração adormecido, não acreditava mais no amor.

   Ele, meio assustado, quase que sem querer, chegou lá através do destino, dizia que estava vindo salvá-la.

   Ela não acreditava mais em príncipes, quanto mais num príncipe encantado. Ele não acreditava mais em contos de fadas. Quanto mais numa bela mulher esperando por ele.

   Mais por um momento, por um único momento, eles esqueceram que eram adultos. Deixaram a lógica de lado, e como dois adolescentes, resolveram apostar na aventura.

   Ele falava, puxava conversa. Ela fingia não estar ligando, fingia dormir num sono profundo, não querendo saber de caras “boa pinta” que diziam ser príncipes encantados. Na verdade, para ela, eles não passavam de míseros “sapos”.

   Ele flertava, ela tentava mudar de assunto, mas ele não desistia. No fundo ela sentia interesse, e no fundo ele não apenas flertava, estava realmente interessado nela.

   Até que, depois de algum tempo, ela aceitou um encontro.

   “Vai que esse sapo é bonitinho” ela pensou.

   O que mais precisa ser contado nesta estória?

   Hoje, neste dia tão especial, a vida prova mais uma vez, que contos de fada existem. Prova que cada mulher tem o seu príncipe, e que cada homem possui a sua bela.

   Pode ser que o homem ache que não passa de um sapo. Pode ser que a mulher pense que seu coração adormeceu para sempre. Mas os momentos difíceis não duram para sempre, uma hora a dificuldade vai embora.
Então, só então, é que a vida se encanta e a bela e o príncipe recebem a bênção de amar, despertando o amor de um para o outro. É assim nos contos, é assim na vida real.

   Bela e Príncipe, que nesta noite, todos os seus sonhos adormecidos tornem-se realidade. Que nesta noite, dentro de vocês dois, se desfaçam os encantos da dúvida, do medo e da tristeza e que permaneça apenas o encanto do amor.

   Lembrem-se sempre o que um representa para o outro na estória encantada. Assim, quando chegarmos ao final de nossas vidas e no fim desta história, eu possa terminar este conto, escrevendo:

   “E eles viveram felizes para sempre”

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- Postado por: André Eduardo Guimarães às 16h40
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Demorou um pouco o novo texto, mas está aqui...

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Eu te amo

   Sabe aquela frase que os apaixonados falam um para o outro a todo o momento?

   Sim. Aquela frase com aquela palavrinha mágica no qual dizemos ao nos despedirmos da pessoa amada. Que, ao irmos embora, falamos uma, duas, três, dezena de vezes...

   Eu te amo.

   É... estou falando desta frase: Eu te amo.

   Esta pequena frase, que geralmente falamos para a namorada, para a esposa, mãe, pai, filho, cachorro... Pequena frase que também, muitas vezes carente, utilizamos para cobrar os outros, cobrar as pessoas que amamos.

   Quem nunca disse a alguém “Eu te amo”? Quem nunca perguntou a alguém “Você me ama”? Quem nunca pediu para alguém “Diz que me ama”?

   Tenho um segredo para contar. Talvez você se espante com o que vou dizer. Talvez você até se sinta ofendido e queira me matar pelo que eu disser, mas é preciso falar.

   Existem coisas que precisam ser ditas para se desfazer uma ilusão. Pois só com a ilusão desfeita é que estamos livres para crescer.

   Está preparado? Posso contar?

   Então aí vai...

   Dizer “Eu te amo” não significa absolutamente nada!

   E eu ainda completo: não significa absolutamente nada e muito menos amor.

   Talvez você já soubesse disto. Talvez, bem lá no fundo do seu inconsciente, mesmo falando “Eu te amo” a todo mundo, você soubesse que isto não quer dizer nada, nada mesmo.

   Quem ama não precisa dizer que ama. Por que? Porque não é necessário, porque não tem importância, só isto.

   Para quem ama, a frase “Eu te amo” perde o significado. Quem ama não apenas “sente amor”, mas transcende a barreira do sentir, quem verdadeiramente ama vira o amor em si.

   Quem ama não precisa transformar o amor em palavras. Quem ama não precisa dizer que ama e muito menos perguntar “Você me ama?”. Para quem ama todas as ações são voltadas para o amor às pessoas, independente de quem o ame ou quem o odeie.

   Quem ama, não tem espaço dentro de si para definir a quem vai amar, como vai amar e quando vai amar. Seu coração está cheio, sua alma está cheia, o amor o tomou por completo, tão completo que não é necessário pensar.

   Não que quem ame não possa dizer “Eu te amo” ou não deva dizer “Eu te amo”. Quem tem o amor por completo dentro de si perde a necessidade de dizer algo a respeito disto. Não tem sentido falar sobre isto, não mais.

   Ainda duvida de mim? Então olhe para a nossa história. Olhe para as pessoas iluminadas que realmente se transformaram no puro amor.

   Jesus nunca disse ao seu povo que os amava. Mas cá entre nós, havia a necessidade de dizer alguma coisa?

   Buda não dizia aos seus discípulos que os amava, nunca disse a Ananda “Eu te amo”.

   E o que dizer então de Mahavira? De Lao Tzu? Você consegue imaginar eles dizendo a todos “Eu te amo”? E todos eles eram iluminados, eram verdadeiros poetas do amor.

   O nosso próprio Deus nunca disse – e nunca vai dizer – “Eu te amo” a ninguém!

   Um outro exemplo: você é um ser humano, isto é fato, é realidade, você é ser humano por completo. Você fica dizendo aos outros que você é um ser humano? Aposto que não. Não seria incorreto se você dissesse “Sou um ser humano”, pois a frase é verdadeira, mas há sentido em dizê-la?

   O mesmo serve para uma pessoa no qual o amor tomou o seu ser, elas dizem: pra que dizer “Eu te amo” se agora eu sou o amor?

   Portanto, o que você acha de seguir em frente, deixar crenças e convicções para trás, não dizer mais “Eu te amo” como se fosse um tchau, e  não cobrar mais o amor de ninguém?

   Torne-se o amor e o seu ser será transformado, e uma nova frase em sua mente se formará. A frase: “Eu sou o amor”.


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Amar é mais do que "Eu te amo". Até a semana que vem.



- Postado por: André Eduardo Guimarães às 16h55
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   “Deus está morto” palavras de Nietsche, filósofo do século XIX. O texto desta semana foi criado após eu ler pela primeira vez esta frase, que me surpreendeu, afinal, pensei “Quem foi este homem que proclamou a morte de Deus?”.

   Não conheço as obras de Nietsche, sei muito pouco sobre sua vida – sei que ficou louco e proclamou esta frase “Deus está morto” – mas ao lê-la, e eu mesmo pronunciá-la em alto e bom som, tenho que admitir que senti um frio na barriga - sugiro você fazer a mesma coisa, a experiência é interessante.

   A história de hoje é um conto baseado nesta frase: “Deus está morto”. Não é baseado nas convicções e crenças de Nietsche – apenas usei sua frase para elaborar o conto – pelo  contrário, as convicções e crenças expostas aqui são minhas.

   Espero que gostem...

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O dia em que Deus morreu

   O santo mestre estava cansado. Havia dedicado sua vida inteira a Deus, mas agora chegava ao final de sua vida – tinha  muita idade e seu coração estava muito fraco. Certo dia ele se deitou na cama e avisou seus discípulos que quando fechasse os olhos, após o terceiro dia, ele deixaria esta vida, ele morreria.

   Seus discípulos avisaram alguns moradores da vila. Não bastou muito tempo para que Falude inteira estivesse em frente a casa do santo, na expectativa de vê-lo vivo pela última vez.
 
   Passou-se o primeiro dia, o segundo dia, e no terceiro dia a saúde do mestre piorou ainda mais. Seus discípulos não tinham mais esperanças, o mestre pouco falava, e quando falava era com dificuldades.

   De repente, surpreendendo a todos, o mestre se ergueu sentando na cama. Pediu para que o ajudassem a se levantar, queria ir muito lá fora ver o seu povo.

   Seus discípulos – surpreendidos com a força de seu mestre – o ajudaram, e com dificuldade ele se levantou e caminhou até a frente da casa.

   A vila estava cheia. O povoado inteiro estava lá para vê-lo. Todos se surpreenderam ao ver o santo, bem ali na frente, em pé. Alguns chegaram a pensar que o mestre se recuperara e viveria mais tempo.

   Fez-se silêncio, todos esperavam pelas suas palavras. O mestre – ainda apoiado em um dos seus discípulos, mas se mantendo em pé – respirou fundo, e com uma voz forte e alta, lembrando a voz da época em que ainda era vigoroso, disse:

   - Meu corpo está fraco, eu estou partindo. Partirei de Falude para sempre. Mas antes de partir, vim até aqui para responder a vocês uma única pergunta.

   Parou por um momento para tomar mais ar e continuou:

   – Responderei  a esta pergunta e voltarei para a minha cama e quando fechar os olhos não estarei mais aqui. Terei deixado Falude para sempre.

   Todos começaram a pensar na pergunta que poderiam fazer. O que perguntar? Qual seria a pergunta mais importante? As pessoas começaram a discutir a pergunta que deveriam fazer, e, por um momento, o local se tornou uma algazarra.

   Um dos discípulos do mestre pediu em voz alta:

   - Todos vocês, acalmem-se. Existem várias dúvidas, cada um de nós possui uma dúvida, mas o mestre responderá uma única pergunta. Portanto entremos num consenso.

   Houve um breve silencio. Qual seria a pergunta mais importante? Ninguém atreveu-se a dar sua opinião. Foi aí que um homem, muito inteligente por sinal, veio até a frente do mestre e perguntou:

   - Mestre, fale-nos de Deus. Ele existe?

   Ninguém abriu a boca para replicar sobre a pergunta. Se havia uma dúvida, com certeza, esta era a maior delas. O mestre olhou em direção a multidão, e respondeu com toda convicção:

   - Deus está morto!

   A multidão ouviu espantada aquela afirmação. Houve um princípio de murmúrios entre as pessoas, uma conversava com a outra sobre o que o santo acabara de dizer. Um homem que dedicou sua vida a Deus? Proclamar em frente a toda vila que Deus está morto?

   - Deus morreu, para sempre, e nunca mais vai voltar. Nunca mais! – Repetiu o mestre para não deixar dúvidas do que acabara de falar.

   “De nada adianta procurar nas escrituras, de nada adianta pedir pela sua volta. Uma coisa eu vos digo, ele morreu, e é impossível que ele volte.”

   “O Deus do sim e do não está morto! O Deus da recompensa e do castigo está morto! O Deus da saúde e da doença, da alegria e da tristeza morreu.”

   A multidão ficou em pânico. “E agora? O que faremos? Como viveremos sem Deus?” ouvia-se as vozes no meio do povo.

   O mestre parou por um momento, estava com dificuldades para falar. O povo prestou atenção, um breve silêncio se fez. O mestre buscou forças, respirou profundamente e continuou:

   - Criemos um novo Deus! – vociferou.

   “Criemos o Deus da vida. O Deus do viver. Criemos um  Deus vivo.”

   “Criemos um Deus não punitivo, que não seja justo e nem injusto, que não conheça a palavra justiça.”

   “Criemos um Deus que não precise de orações, que não precise de oferendas. Um Deus que não precise que doemos nossas próprias vidas por ele. Criemos um Deus que se sinta pleno em apenas contemplar o nosso viver.”

   “Criemos um novo Deus. Um novo Deus que não seja nosso pai, mas sim nosso pai, mãe, irmão, amigo e até nós mesmos. Por que não?”

   “Que cada um seja Deus! Que ele esteja dentro de nós e que nós estejamos dentro dele. Que ele nos pertença e que nós pertençamos a ele.”

   “Sim. Criemos um novo Deus. Um Deus que não se chame mais Deus. Um Deus sem nome e ao mesmo tempo um Deus que atenda por todas as palavras existentes neste planeta. Um Deus em que o encontremos em cada palavra, em cada gesto, no falar, no andar, no viver e amar.”

   “Criemos um Deus novo, um Deus sem leis, sem mandamentos. Um Deus que não seja intelectualizado, um Deus que não pense, que não fantasie. Criemos um Deus que conjugue apenas o verbo ser.”

   “Deus está morto, morreu ontem. Eu estava de partida, indo embora de Falude e esquecendo de contar a vocês. Não cabe a mim, criar um novo Deus. Claro que não! O meu tempo aqui acabou, estou quase fechando os olhos."

   "Mas cabe a vocês criarem um novo Deus, cabe a vocês criarem o Deus do Amor.”

 

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   Eu já criei o meu novo Deus. E você?

 

   Espero que tenham gostado. Até a semana que vem.

 



- Postado por: André Eduardo Guimarães às 17h55
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   Uma ótima notícia: o Blog foi indicado como destaque no Blogstar:

    Agradeço a todos vocês, que acessam ao blog diariamente. Ainda falta ganhar o selo dourado - dado aos blogs com um maior número de acessos - é difícil, mas quem sabe um dia...

   Agora, uma notícia um pouco triste: o lançamento do meu livro irá atrasar. Estava previsto para o final do ano, mas por causa do atraso no processo de revisão, o lançamento ficará para o ano que vem. Quando? Eu ainda não sei, pois após o término da revisão é preciso dar andamento na impressão e divulgação, e tudo isto leva tempo e dinheiro.

   Mas como diria o psicanalista André Keppe “A vida é maravilhosa! E tudo dá certo, no momento certo”.

   Vamos ao conto desta semana...

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Liberdade

   Eu não gosto de pássaro preso em gaiola. Nunca gostei. Pássaro foi feito pra voar e não para ficar preso em um lugar fechado, com poleiros, onde o máximo que ele pode fazer é pular de um lado para outro dentro de uma pequena gaiola. Para mim, pássaro é sinônimo de liberdade.

   Na minha infância, quando chegavam às férias, eu sempre passava no campo, no sitio dos meus avós. Numa ocasião em que estava lá, meu avô ganhou um passarinho, um coleirinha, claro que acompanhado de uma gaiola de madeira.

   Assim que vi o passarinho, fui logo perguntando para o meu avô:

   - Porquê você não solta ele?

   - Porque ele é meu – ele respondeu.

   Eu achava um absurdo. Tantos pássaros por ali que de manhã era impossível continuar dormindo com a cantoria, e meu avô, um egoísta de primeira, mantendo um coleirinha preso.

   - Solta ele vô! – eu insistia.

   - Ele é um presente que ganhei, não vou soltá-lo.

   - Mas, se você o soltar vai fazer alguma diferença? Ele não pode continuar sendo seu?

   - Faça isto quando tiver o seu passarinho. O meu é meu, e vai ficar preso aqui comigo – ele dizia.

   Mas eu era teimoso, e com essa teimosia, sem ele perceber, fui na ponta dos pés até onde estava pendurada a gaiola do coleirinha. Peguei uma cadeira. Subi. E quando estava preste a abrir a porta da gaiola o meu avô apareceu.

   Ele me pegou pelo braço. Fechou rapidamente a porta da gaiola – não dando tempo para o pobre passarinho fugir.

   - O que faço com você? Você não compreende? – esbravejava ele. – Este passarinho nasceu dentro de uma gaiola! Se eu libertá-lo, ele não sobreviverá, pois ele não sabe viver em liberdade. Se soltá-lo, de uma a outra, ou ele acabará morrendo de fome, ou será presa fácil de algum animal.

   Eu não disse mais nada. Apesar de já ter visto meu avô bravo algumas vezes, nunca o vi ficar tão fulo comigo. Eu era pequeno, entendia o ponto de vista dele, porém entendia mais ainda o do coleirinha.

   E foi assim quase que as férias inteiras, todos os dias, no finalzinho da tarde, eu ouvia aquele passarinho cantar. Mas ele cantava diferente dos outros da região, cantava uma canção triste, melancólica. Se naquela canção houvesse uma letra, juro que ela falaria sobre a sua tristeza.

   Quem disse que eu desisti fácil? No meu último dia das férias no campo, logo pela manhã, , lá fui eu novamente com a minha heróica missão: libertar o coleirinha.

   Tomando o maior cuidado para que meu avô não me visse, arrastei a cadeira para baixo da gaiola, subi, e a retirei de lá. Assim que a coloquei no chão, ao me preparar para abrir a porta da gaiola, vi uma cena que me espantou.

   Chorando, coloquei a gaiola entre meus braços e corri em direção ao meu avô. Ao me ver ele não entendeu o porquê eu estava chorando, mas quando percebeu que eu segurava a gaiola, ele olhou atentamente, vendo o seu amado coleirinha lá, deitado no chão, morto, com uma parte de sua barriga faltando.

   – Os ratos o comeram – Disse meu avô enquanto colocava a gaiola no chão tristemente. Por ser uma região rural, no sitio, existiam ratos.

   Ainda chorando, eu disse:

   - Você não quis libertá-lo. Eu tentei, mas você não deixou. Agora, ele está morto, os ratos o atacaram e o mataram, e ele não teve oportunidade de lutar por sua vida. Você não deu a liberdade a ele, com medo que ele morresse, agora é tarde.

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   Quantas vezes nós não fazemos isto durante a vida? Quantas vezes não deixamos a pessoa que amamos ser livre? Quantas vezes um pai não deixa o filho crescer, se libertar, e ter a chance de errar, mas aprender?

   Podemos até ter um bom motivo para mantermos as pessoas que amamos por perto. Pode ser, que se os soltarmos na vida, eles não estarão preparados, eles sofrerão.

   Fazemos isto por amor, claro. Mas este amor não é o amor verdadeiro. Este amor é um amor condicional, condicionado a segurança.

   O que não percebemos é que não existe amor com segurança. Este amor não é verdadeiro. Você pode colocar quem você ama dentro de uma redoma de vidro, achando que lá ela estará plenamente segura. Mas isto é utopia. Sem querer, você pode quebrar o vidro e machucar o seu grande amor, ou pode faltar ar dentro da redoma de vidro, e o seu grande amor morrerá.

   O amor verdadeiro não é condicional. Ama verdadeiramente quem entende que a pessoa amada não pertence a ela. Assim como você, a pessoa amada também é livre. Livre para acertar e para errar, livre para amar e sofrer, livre para viver a plenitude da vida.

   Portanto, dê a liberdade para quem você ama e ele será grato a você pelo resto da vida. Não posso prometer que ele será seu, pois a vida é incognoscível. Mas posso prometer que mesmo livre, todos os dias, ao cair da tarde, como um passarinho, ele voltará e cantará a mais bela das canções para você.

   Lembrem-se: não existe amor sem liberdade.

 

   Um bom final de semana para vocês.



- Postado por: André Eduardo Guimarães às 16h09
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Afinal, o que é o amor?

    O jovem andava às pressas em direção ao templo do vilarejo, sentindo o coração partido. Estava em busca do mestre do templo, queria conversar com ele de qualquer maneira.

   - Mestre! Mestre! – ele chamava incansavelmente pelo mestre enquanto adentrava no templo.

   O mestre estava sentado no chão discursando sobre o amor para algumas crianças. Ao ver o jovem entrar, o mestre se calou e ficou aguardando o jovem se pronunciar.

   - Mestre! Estou sofrendo! Vim tem procurar, pois preciso descobrir o que realmente é o amor.

   - Que interessante! Estava falando sobre o amor agora mesmo para os meus pequenos discípulos – respondeu o mestre. – Mas, por favor, continue. Diga-me qual é o motivo de sua aflição.

   - Mais uma vez eu caí nas armadilhas do amor. Toda vez que tento amar alguém, eu acabo me apaixonando, e toda vez que me apaixono, no começo é bom, mas a paixão se vai e eu acabo sofrendo. Não agüento mais sofrer assim mestre – disse angustiado. – Gostaria de saber, mestre, o que é o amor? O que realmente significa o amor?

   O mestre olhou para o jovem e nada respondeu. Ele se levantou entre as crianças, e se dirigindo a elas, perguntou:

   - O que é o amor?

   A princípio, não houve resposta. O mestre perguntou novamente:

   - Vamos! Respondam! O que é o amor?

   Timidamente, uma criança levantou a mão:

   - Amor é carinho!

   - Muito bem. Mais alguém?

   Aos poucos, cada criança foi levantando a mão querendo responder a pergunta. O mestre se dirigia a cada uma.

   - Amor é Deus – respondeu uma.

   - Amor é doação – respondeu a outra.

   O jovem olhava atentamente cada resposta, tentava entender tudo aquilo.

   - Amor é uma energia!

   - Amor é o universo!

   - Amor é alegria! – Disse mais uma.

   - Amor é também felicidade! – completou a outra.

   - Amor é dar risadas – disse a última fazendo com que todos rissem.

   Porém, o jovem não esboçou nenhum sorriso. Ele olhou para o mestre e comentou:

   - Se o amor é tudo isto, então não tem como eu realmente saber o que é o amor... O amor é muitas coisas. Deste jeito, infelizmente, eu nunca poderei senti-lo.

   O mestre, ainda sorrindo, respondeu:

   - Infelizmente não posso enganá-lo. Você veio buscar a verdade e a verdade eu devo dizer: o amor é realmente tudo isto que as crianças disseram e ainda muito mais.

   Fez uma breve pausa e continuou:  

“Mas podemos resumir todas as coisas que o amor é em uma só: Você.”

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O amor não é uma conquista, não é algo a ser alcançado. O amor é natural do universo, natural do ser humano, inerente ao ser humano.

Para senti-lo, faça igual às crianças: seja você mesmo. Viva a vida sendo você mesmo. E o amor, como num passo de mágicas, aparecerá e se tornará uma parte de você.

Espero que tenham gostado do conto. Não deixem de comentar.

Até a semana que vem.



- Postado por: André Eduardo Guimarães às 15h27
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   Gostaria de agradecer a todos pelos comentários sobre os textos e pelos acessos diários. Tenho consciência que se eu postasse mais vezes por semana, o blog teria um maior número de visitas, mas prefiro fazer publicações semanais, assim consigo publicar contos com maior qualidade.

   Aproveitando, falando em comentários, gostaria de esclarecer uma dúvida que muitas pessoas me perguntam.

   Os textos que você publica aqui são criados por você?

   Sim, todas as histórias que posto aqui são de minha autoria. Não que esteja preso a isto, mas quando postar alguma frase ou trecho de autoria de algum outro escritor vocês ficarão sabendo, pois estarei citando o autor no próprio texto. Ultimamente, costumo citar outros autores quando faço pequenas dissertações – como a dissertação que publiquei aqui sobre a coincidência (citando Osho).

   Bem, chega de papo e vamos ao post de hoje. Decidi publicar uma pequena poesia. Ao contrário da maioria, prefiro fazer poesias simples, com palavras simples e de fácil entendimento (nada contra os outros, mas este é meu perfil, fico mais a vontade para escrever assim).

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Se eu pudesse falar do amor

   Ah! Se eu pudesse falar do amor...

   Eu falaria dele até o fim dos meus dias.

   Eu diria aos jovens: não percam tempo com a paixão, amem, amar pode ser mais difícil do que se apaixonar, mas é pra sempre.

   Eu diria a cada ser humano: não dê espaço para a raiva, o ódio, o rancor. Estes sentimentos pesam na alma, e a alma tem que ser leve, livre. Ela tem que voar no limiar da existência. Isto, só o amor é capaz de fazer.

   Eu diria aos amigos: Amem! Amem plenamente! Mesmo que no final vocês sofram, pois só verdadeiramente ama quem sofre e só vive quem verdadeiramente ama.

   Ah! Se eu pudesse falar do amor...

   Eu diria a todos os pais: amem seus filhos através da amizade, do companheirismo, da boa conversa, pois só assim vocês terão o amor de seus filhos pro resto de suas vidas.

   Eu diria aos experientes: dêem a cara pra bater! Não tenham medo. Exponham suas experiências de vida, suas histórias, pois só assim o mundo progredirá a caminho da perfeição.

   Eu diria aos medrosos: tenham fé no amor, pois o amor vai torná-los corajosos e a coragem os tornará vitoriosos.

   Eu diria aos aventureiros: tentem, errem, se aventurem pelas emoções da existência. Não precisam ser perfeitos, mas busquem sempre a perfeição do amor.

   Eu diria aos casais: amem um ao outro, mas sim pelo que o outro é, e não pelo que gostariam que fosse, pois o amor é assim, diferente entre as pessoas, mas igual entre os corações.

   Ah! Se eu pudesse falar do amor...

   Eu diria as mulheres: ensinem os homens a amar. Eu diria aos homens: ensinem as mulheres a viverem sem medo de amar. Pois vocês estão na vida para aprenderem juntos a conquistar o verdadeiro amor.

   Eu diria aos incrédulos: busquem Deus no amor, o amor está dentro de vocês. Não achem que ele deva ser do tamanho do mundo, pois o amor não deve ser grande, mas sim completo.

   Eu diria aos que não se sentem amados: amem-se! Pois só quem ama pode preencher o cálice do amor dentro de si, e assim, quando o cálice transbordar, vocês amarão as pessoas sem precisar sofrer, e não cobrarão o amor de mais ninguém.

   Ah! Se eu pudesse falar do amor...

   Eu diria o quando gostaria de ser o amor, pois o amor é o mais nobre sentimento que um ser humano pode sentir, é a maior experiência que uma pessoa pode viver. O amor é o todo. O amor é completo.

   Ah! Se eu pudesse falar do amor...

   Mas não posso falar do amor pra ninguém, pois o meu papel neste mundo é outro... Meu papel neste mundo é: viver a inveja!

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Até a semana que vem.



- Postado por: André Eduardo Guimarães às 16h20
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Abrindo seu coração

   Certa vez, depois de muito tempo em peregrinação na cidade, o discípulo voltava para o seu templo triste e cabisbaixo. Ao ser indagado pelo seu mestre, que perguntava como ele havia se saído lá fora, o discípulo disse tristemente:

   - Mestre, eu falhei! Fiz o que o livro sagrado me ensinou, mas acabei no sofrimento.

   O mestre pediu que se acalmasse e contasse o que havia acontecido. Então o discípulo continuou:

   – Durante todo este tempo, em que fiquei fora, eu fui um bom discípulo. Assim como o livro sagrado ensina, eu usei todo o meu tempo para me dedicar por completo a todo mundo. Durante todo este tempo eu não deixei de me envolver com ninguém, pregava a quem quisesse ouvir, falando de tudo que havia em mim. Falava dos meus sonhos, dos meus medos, de minhas alegrias, de minhas tristezas, dos meus erros... Assim como o livro sagrado ensinou eu fiz: abri as portas de meu coração para cada um que encontrei em meu caminho. – o discípulo começou a chorar e continuou. – Após me abrir por completo, para o meu espanto, as pessoas começaram a espalhar pela cidade que eu não tenho futuro, que por ser deste jeito eu me tornei fraco, que por ter muitos sonhos eu estou perdido e que por ter cometido tantos erros eu nunca conseguirei me tornar um mestre.

   O mestre olhou no fundo dos olhos do discípulo e respondeu:

   - Você aprendeu uma grande lição: a abrir as portas de seu coração. Mas esta lição não foi completa, o livro sagrado diz: abra as portas de seu coração, mas eu te digo para não esquecer-se de fechá-las. As pessoas devem conhecer sua essência, mas ninguém deve se atrever a mudá-la.

   “Aja como uma flor na primavera, que ao nascer do sol, se abre para contemplar a vida. Ela mostra sua beleza, mostra suas imperfeições e até deixa que os insetos a toquem. Neste momento ela fica completamente vulnerável, mas confia na sua própria beleza interior. Mas ao cair da noite, quando ela não consegue enxergar nada e quando ninguém mais consegue enxergar a sua beleza, ela se fecha, para se proteger e meditar.”

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Espero que tenham gostado deste novo conto e do novo layout do blog. Não esqueçam de comentar.

Até a semana que vem.



- Postado por: André Eduardo Guimarães às 21h32
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Coincidência

   Você está desesperado, precisando de ajuda, perdido e sem ninguém para recorrer. De repente, você resolve sair para espairecer e acaba avistando uma pessoa conhecida, um velho amigo de infância que você não vê há muito tempo.

   Você fica sem graça de ir até ele, afinal, será que ele vai te reconhecer? Talvez sim, talvez não, mas é mais fácil desistir. Quando você pensa em virar as costas e tomar um rumo diferente, ele se vira em sua direção e vê você.

   Você o cumprimenta meio sem jeito, ele pergunta o que você está fazendo ali e vocês dois começam a conversar. Recordam o passado, os tempos que brincavam juntos, as alegrias e problemas da infância. Após alguns minutos, como mágica, a chama da antiga amizade acendeu novamente, e num determinado momento ele pergunta  a você:

   - E você? Como vai? Está tudo bem?

   Então, aproveitando a oportunidade da amizade restabelecida, você fala sobre o seu problema, sobre a sua aflição. Pode ser que você diga que está desempregado, ou então que alguém em sua família está doente, não importa, ele demonstra interesse, você explica todos os detalhes, explica como se sente, o quanto está triste e desesperado.

   Seu “velho” e “sumido” amigo ouve atentamente o que você diz, e quando você já não tem mais palavras para desabafar, ele fala algo, ou faz alguma coisa demonstrando a sinceridade da amizade. Você se sente forte, confiante, sente a iniciativa brotando dentro de você, iniciativa esta tão necessária para passar pelo problema, iniciativa que você procurava há muito tempo e foi encontrar naquele instante, com aquela pessoa...

   Vai me dizer que uma coincidência como esta que descrevi nunca aconteceu com você?

   Você já parou para pensar o que a coincidência realmente significa? Geralmente comentamos  “Que coincidência!” e ela fica assim, como uma interrogação dentro de nós.

   A coincidência é muito mais do que o significado que o ser humano a atribui, ela não é apenas uma “simultaneidade eventual” como os dicionários costumam descrever, ela vem diretamente da vida, do cosmos, do universo – ou de Deus se assim preferir. Uma série de eventos é necessária para que a coincidência aconteça, mas o ser humano dá pouco valor a isto.

   E quem disse que coincidência acontece só entre pessoas?

   Certo dia, minha esposa estava chateada comigo, não entendia o meu comportamento perante uma situação em que envolvia nós dois. Discutimos muito por causa disto, eu não conseguia explicar os meus motivos para ela de uma forma que ela me compreendesse.

   Num determinado momento, desisti de tentar  explicar. Caímos no conformismo do: isto é assim, é melhor aprender a viver assim.


   No dia seguinte, saímos para passear.  Fomos a uma livraria e enquanto eu estava perdido, viajando no meio de vários livros – adoro ler como podem perceber – minha esposa foi até uma daquelas ilhas de exposição e pegou um livro na mão. De acordo com ela o título chamou sua atenção, e ao abri-lo ao acaso e começar a lê-lo, o parágrafo escolhido descrevia uma situação idêntica a que nós havíamos passado, e melhor, explicava com poucas palavras o ponto de vista do homem – que geralmente é diferente do ponto de vista da mulher.

   Coincidência? Sorte? Deus?

   Não interessa! O que interessa é que a coincidência não pode ser explicada pelo intelecto, pelo pensamento. Ela é um processo que apenas conseguimos intuir, um processo intuitivo, sem explicação.

   E sabe porque a coincidência é intuitiva? Porque a vida é pura intuição. Não precisamos pensar para viver. A vida acontece independente do raciocínio. Você pode parar de pensar, de imaginar, e mesmo assim vai continuar vivendo.

   Como diria Osho – um dos maiores mestres espirituais do século XX – o ser humano vive pensando, vive fantasiando todo o momento. O pensamento não vive na realidade, ele vive ou no passado (através das recordações) ou no futuro (através da imaginação). A intuição vive apenas na realidade e ela não pode ser explicada pelo intelecto, pois o intelecto não conhece a realidade.

   A intuição pode apenas ser vivida, só assim você a experimenta, e só assim você entende a coincidência. Então, pare um pouco de pensar, de fantasiar, de imaginar e viva o agora.

   Não espere por mágicas. Dê  o valor, mas não tente dar um significado a vida, pois quando você tenta dar um significado para qualquer coisa, você está agindo através do intelecto, e a vida foi feita para se sentir e não para se pensar.

   Apenas viva o momento, viva o agora, viva e aproveite a intuição que está espalhada pelo caminho do viver. Com isto mais coincidências vão acontecer, e ao vê-las acontecerem novamente você não vai mais falar “Que coincidência!”, você apenas irá senti-la, e vai perceber que a coincidência preenche a vida, a vida é uma “coincidência gigante”.

   Ah! Para os curiosos, quanto a minha esposa, sim, ela acabou comprando o livro e está adorando lê-lo.


   Até a semana que vem.

 



- Postado por: André Eduardo Guimarães às 11h50
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Uma dívida do tamanho do universo

   Todas as noites, antes de dormir, o pai entrava no quarto de seu filho, ajoelhava-se à beira da cama e fazia uma oração. Certa noite, o menino acordou surpreso ao ver o pai ajoelhado e perguntou:

   - O que você está fazendo pai?

   - Estou rezando, agradecendo a Deus, meu filho – respondeu o pai carinhosamente.

   - Mas por quê? Deus ouve seus agradecimentos?

   O pai, pego de surpresa, respondeu:

   - Ouve! Claro que ouve. Todos os dias, antes de dormir eu venho até aqui e agradeço a Deus por existir, por você existir, por sermos uma família...

   - Por que rezar todos os dias? Agradecer uma vez não está bom? – O filho tornou a perguntar.

   - Na verdade, nem precisamos agradecer, pois Deus é o nosso grande pai, e de uma maneira ou de outra, ele nos entende – disse o pai.

   - Ele já conversou com você?

   - Não meu filho, nunca conversou comigo.

   - Então por que rezar tanto por alguém que nunca conversou com você? – insistiu o filho.

   O pai se levantou e foi em direção a janela. Abriu a veneziana e chamou seu filho para presenciar a linda noite que estava presente lá fora. Já era tarde, o menino levantou correndo e olhou atentamente pra fora.

   Ele viu a silhueta da grande montanha que contornava o vilarejo. Sentiu a luz do luar iluminando seu rosto e olhou para cima, viu a grandeza da lua e todas as estrelas que iluminavam o céu.

   O pai agachou ao lado do menino e disse:

   - Está vendo tudo isto? Tudo isto é Deus. Está vendo aquelas estrelas lá em cima? – perguntou apontando o dedo indicador para o céu. – Todas são Deus. Deus mora em cada uma delas ao mesmo tempo em que todas elas formam o grande pai.

   “Quando chegar num momento da vida no qual ache que já agradeceu o bastante, lembre-se disto: Sua prece deve ser oferecida para cada estrela que existe no céu. No final da sua vida, você vai descobrir que mesmo tendo rezado todos os dias para cada estrela, você ainda não rezou para todas, faltarão muitas. E quando chegar à hora de partir deste mundo, você perceberá que não agradeceu o suficiente ao grande pai”.

 

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   Não importa o quanto agradecemos por viver, sempre estaremos em débito com Deus. Assim como não importa o quanto o filho agradeça ao pai ao longo de sua vida, ele sempre terá uma dívida com seu pai por tê-lo criado e amado incondicionalmente.

   Espero que tenham gostado do conto desta semana. Não esqueçam de comentar o post.

   Até mais.



- Postado por: André Eduardo Guimarães às 11h10
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   Seu Zé, o homem do dia

   Seu Zé é uma pessoa que acorda cinco e meia da manhã para trabalhar. Casualmente, eu o encontro no metrô logo de manhã. Pode ser quarta-feira, sexta feira, ou até segunda-feira, e ele está sempre assim, com um sorriso enorme e uma boa disposição de dar inveja a qualquer um.

   Num desses dias, no metrô, eu perguntei a ele o que fazia para ter toda aquela disposição logo cedo. Ele me disse que o único exercício que fazia diariamente era: pegar dois ônibus lotados para chegar ao metrô.

   - Não é possível, se fosse comigo, andar tanto assim só me deixaria mais cansado e estressado – comentei com ele.

   Seu Zé deu risada, para ele tudo aquilo era normal. Pedi a ele que me falasse do seu dia a dia, do seu trabalho – a curiosidade crescia, não era possível, alguma coisa em sua vida lhe dava motivos para tanta disposição e felicidade.

   - Eu durmo lá pelas onze horas da noite, acordo cinco e meia da manhã, sento na cama sonolento, está é a pior parte. Depois coloco o chinelo e vou tomar banho – disse continuando – então troco de roupa, acordo minha mulher e meus filhos, preparo o café, dou comida para o cachorro e vou trabalhar.

   - O que mais? – perguntei desconfiado.

   - Pego dois ônibus para chegar até o metrô, depois pego o metrô e pronto! Estou no serviço – disse enfatizando o “pronto” como se fosse tudo tão simples. – Às vezes, chego atrasado e tomo uma bronca do meu chefe, mas isto é de vez em quando.

   Eu sabia onde seu Zé trabalhava. Ele era um homem simples, ganhava pouco, trabalhava como ascensorista em um prédio no centro de São Paulo. Mais um motivo para me interessar pela sua história, seu jeito não condizia com o de uma pessoa com uma vida assim numa cidade grande.

   - No outro dia eu acordo e começo tudo de novo, talvez sem a bronca do chefe, sem chegar atrasado, mas minha vida é assim todos os dias – completou sorrindo.

   “Próxima estação Sé” avisou a voz pelo alto-falante do trem. Seu Zé se levantou preparando-se para descer na próxima estação. Já eu, estava desistindo da curiosidade.

   Seu Zé arrumou o uniforme, ajeitou a sua mala apoiando-a no braço esquerdo e pouco antes do trem chegar à estação, antes de se despedir, ele me disse:

   - Antigamente, quando acordava, a primeira coisa que fazia era ficar pensando em como o dia poderia ser para mim, o que deveria fazer naquele dia. Mas logo pela manhã, eu acabava me frustrando, pois tudo saía diferente do que eu havia planejado e esperado.

   “Até que um dia, ao já acordar frustrado pelo dia que viria, tive uma idéia. Ao invés de ficar pensando em como seria o dia eu resolvi fazer uma experiência, resolvi aceitar aquele dia do jeito que fosse.”

   “Nunca vivi um dia tão maravilhoso e cheio de surpresas. E o melhor de tudo é que, ao aceitar aquele dia, me senti feliz e completo. Então, desde aquele dia, todos os dias quando acordo, não me pergunto mais como o dia será para mim, mas sim como eu serei para o dia.”

   O trem abriu as portas, seu Zé desceu e foi embora rumo ao seu trabalho, mas não antes de dar aquele adeus acompanhado de seu sorriso de sempre.

   Seu Zé... Homem trabalhador... Homem feliz... Homem do dia.



- Postado por: André Eduardo Guimarães às 10h57
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